palarvore é voz que não sustenta o grito e sai rasgando a garganta. um entregalhos coberto de flores enquanto as folhas espalham o vento. Um primeiro livro, uma semente... uma vida de mortes avulsas e semidiárias. tem raiz e juventude na veia. um caule torto, uma expressão própria. palarvore é fruto de vida intensa com um olhar guloso de sumo adocicado. um réquiem do apodrecer da época. um livro sonoro e dissonante que beira as tensões do que é ser humano. um feminino forte do elemento Terra.

o restante...é erva-daninha e pontos

(...)

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Quando decidimos plantar os poemas ( nós nunca mais voltamos )


"(...) Ao invés de se subordinar às noções de trecho ou território, às noções geográficas e fixas, o espaço da atualidade abre-se para a condição da mobilidade e virtualização. Com o surgimento das redes a noção de espaço físico e fixo se rompe, abrindo-se para visões mais fluidas e líquidas. De Layotard a Paul Virilo (1989), o espaço parece ter se esfarelado, trocando sua fluidez e imobilidade por um ESPAÇO EM FLUXO que coloca na conexão, na mobilidade, nas relações e no sujeito em trânsito seu eixo fundamental. Na arte a configuração destas novas espacializações corresponde às novas configurações espaciais engendradas desde o início do século passado pelas vanguardas histórias e que se estendem à atualidade.
Palavras-chave: espaço em fluxo, intervenção urbana, cibercidade, performance, arte móvel"

( Priscila Arantes )

Eles já tinham uma maneira palarvoreanésica de ocupar o espaço: Eles subiam nas árvores, e dormiam, por assim dizer, até que saiam lindos nas fotografias. Estou me referindo ao Luquinhas e ao Marcelo, e aos seus corpos cotidianos em oposição ao momento nada cotidiano que é ver um corpo dormindo nos galhos de árvores pela cidade ( e outros lugares ). A gente foi amadurecendo essa ideia... Gerando esse fruto juntos... Até pensar que queríamos que isso fizesse parte do nosso processo, que fosse a princípio um registro, mas que depois, poderia vir a ser parte de uma das instalações que vão estar montadas no DIA DO LANÇAMENTO PALARVORE ( 05 e 17 de Maio ;-) HEHE!). Mas isso é só pra quem for no evento... Rs! Assunto de outra ordem... Retomando: Iríamos usar esses acontecimentos, queríamos que fizessem parte, que tivessem um desdobramento poético, queríamos fazer uma ponte com o livro, e decidimos preparar mais do que fotos: Ações!

Figurino: Carnavalesco mesmo! Há quem diga... Uma coisa meio "Hair"... Rs! Restos de fantasia de carnaval. A poesia do nosso corpo permitia isso... As árvores também.

Local: Algum lugar com árvores. Por fim... Aterro do Flamengo ( Vide mapa no blog! )

Ação: RELAÇÕES! Era o que tínhamos para jogo. Relações entre nós, as árvores, os passantes, o espaço, a topografia, a arquitetura, a poesia do movimento, velocidades, durações, e muitas reticências... A gente coloca o nosso estado de consciência pra ser fluído e sincero com as relações estabelecidas. A gente joga... A gente é presente e vive aquele instante como a única coisa que existe ( E era mesmo, a única coisa que existia de fato naquele momento!). Os nossos corpos eram poemas deitados nas árvores, rostos, roupas, nervos, tensões. Uma espécie de "sagrado" habitava os lugares onde estabelecíamos nossas várias relações: ERA PALARVORE SENDO PLANTADA... E A GENTE NÃO TINHA PRESSA PARA VOLTAR.




" (...) as formas tatuadas no seu tronco,
rostos tão estranhos. uma folha cai.
é possível perceber nosso semblante
em suas nervuras, a reciprocidade
do espanto. ou sentar-se
a observar os cristais de orvalho,
mônadas no ventre do tempo.
uma árvore, convite.
nela ver o mundo,
missiva do imponderável."




( COHN, Sergio, O sonhador insone:poemas de 1994-2012 Rio de Janeiro: Beco do Azougue, 2012.p.68)







Achei muito pertinente esse poema do Sergio, afinal, a gente tá virando poesia... E a relação estabelecida com a árvore no poema, nos vestiu bastante bem. Palarvore é material sensível, e ocupa a forma que a gente der, espécie de coisa de moldar... se a gente entender como material sensível... Coisa de alma.

Em breve: Mais fotos, vídeos, e alguma poesia do nosso acontecimento palarvoreanético!




2 comentários:

  1. ah, como é inesquecível virar bicho.

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  2. Tiveram momentos que eu gostei em particular... O momento em que cantamos "Fiat Lux" andando... O momento em que paramos na árvore e cobrimos ela com os poemas escritos pendurados nos seus milhões de cipós fininhos (que mais pareciam veias verdes de árvore pulsante)e começamos a lê-los... O momento em que estávamos cada um em uma árvore "balançando" lentamente o corpo, numa imagem linda! Até que o moço da bicicleta passou olhando e eu fui correndo atrás dele pra dizer uma parte do poema do Sergio em resposta aquele olhar. Depois, ele foi até o marcelo e o lucas perguntar se éramos atores. Rs! Uma coisa é fato: Nunca mais eu olho pra uma árvore da mesma forma! Que delícia de vivência... Estou louca para experimentar a versão "noturna"... tcham tcham tcham...

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